04.07.10


Não encosta!

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pegajosoHoje eu estava lendo uma reportagem sobre quão incoveniente eram as pessoas que tem necessidade de pegar nas outras. Não tarados. Mas pessoas que simplesmente não conseguem conversar sem te cutucar. No mesmo instante, fiquei aterrorizada. Comecei a imaginar várias pessoas que precisam ficam pegando no teu braço e falando “Viu?”. Minha filha, escolha, ou vê ou toca!

Tenho uma amiga que tem esse sério problema. Ela precisa estar “atada” de certa forma a pessoa pra conseguir conversar. No geral, ela abraça e só assim continua a conversa. Quando ela chega e diz “Mariana, preciso falar com você!”, eu já começo a suar frio. Sei que existe muita gente que também não suporta esse nível de pegajosidade. Mas vou além.

Uma das coisas que mais me irritam é o indispensável beijinho-na-bochecha-sem-necessariamente-beijar-ou-encostar-na-bochecha. Tenho certeza que vocês já presenciaram/protagonizaram vários. É indispensável pra cumprimentar a miguxa que chegou, ou o cara que você acabou de conhecer, ou pra se despedir de alguém… Por ser algo tão “obrigatório”, acaba me parecendo muito falso, ensaiado, artificial. OIAMIGAN*BEIJINHO*AIKISAUDADEPRECISOIRXAU*BEIJINHO. Sério, eu não faço isso nos meus amigos mais próximos. Por eu estar sendo sincera e me comportando da forma como sou normalmente, acho mais digno e mais bonito do que fingir socialização.

Tem casos extremos, claro. Como homem/mulher que conversa dando murros no seu braço, tipo isso aqui. Já conheceram alguém assim? Eu aguento até que a situação fique insustentável e eu acabe explodindo. Obviamente que a melhor maneira de se lidar seria falar delicadamente desde a primeira vez que aconteça, mas não. Eu tenho fé no ser humano. Eu faço cara de cu e espero que a pessoa se toque. Silly me! Depois sou eu que fico com fama de grossa, de estúpida, eu que não tomo meus remédios etc.

O motivo de eu estar escrevendo isso não foi só a reportagem. Foi que bem recentemente eu descobri que faço cara de nojinho quando sou obrigada a participar desse tipo de interação social. Uma amiga minha que me disse. Ela própria adorar abraçar os amigos e adora contato humano, mas sabe como eu sou e me respeita. Mas se eu me recuso a dar beijinho pra cumprimentar alguém, eu é que sou a nojenta. Há pessoas diferentes, de cores diferentes, de crenças diferentes, de culturas diferentes. Por que não respeitar?

Na verdade, meu motivo maior é nojinho mesmo. Eu sei que horas tomei meu banho, que horas escovei meu dente, que horas fui ao banheiro e lavei as mãos. Não sou uma pessoa com mania de limpeza. Só acho que não devo ser obrigada a aceitar beijinho de uma boca que sabe-se lá onde andou. Convenhamos, o ser humano é um bicho bem asqueroso quando quer. E eu tenho muito amor próprio a minha pessoa (óbvio, não ia ser amor próprio se fosse a outra pessoa, não?). Não é todo mundo que gosta de contato humano o tempo todo. Ainda mais de contato humano com semi-desconhecidos que podem muito bem ser, sei lá, aliens, mutantes, o que tornaria o contato humano um contato mutante ou semi-alien. Vocês me entenderam.

Então, da próxima vez que me encontrarem por aí, não precisa me beijar nem me abraçar. Basta acenar pra mim que eu vou responder e até sorrir. Pode ter certeza que assim você me fará muito feliz.

P.S.: A imagem que ilusta o post é do episódio “Alley to Bali“, do Pica Pau. Esse episódio está recheadinho de personagens pegajosos: o Zeca Urubu, uma estrela-do-mar, uma planta carnívora, um polvo, o próprio Pica Pau doidinho pra agarrar a moça, um Deus-Vulcão enfurecido… Ainda assim, eu o considero um dos melhores episódios do Pica Pau.







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