15.01.10


Pegando fogo!

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20:00 685 palavras 28 comentários

Essa história sempre faz sucesso quando algum familiar a conta. E convenhamos, seria bem mais engraçada se eu não estivesse diretamente envolvida. Mas como o legal é ver alguém se fodendo e não um final feliz, aí está.

Eu fui uma criança estranha. Até aí vocês podem olhar e dizer “Ooh, grande novidade!”, mas sério. Eu gostava de colocar roupa em pintinho (filhote de galinha, antes que role alguma piada com camisinha), tinha um vocabulário bastante grande (e cabeludo) e adorava fazer experiências incendiárias. Mas dessa vez tratou-se de um acidente.

represa da fazenda do meu avôEu estava brincando de casinha na fazenda do meu avô. E quando digo fazenda, devo reforçar que é uma fazenda de verdade. A cidade mais próxima está a 70 km, e a energia elétrica disponível era fornecida por uma turbina alimentada pelas águas de uma represa. Pro negócio funcionar direitinho e tal, as águas de uma represa precisam bem… Ficarem represadas! Doh!

OK, parece óbvio, mas não é tão simples. O que mantém essa água toda no lugar é um negócio chamado aterro. No caso, um elevado de terra que fazia a água ficar acumulada na represa e não vazar toda. Acontece que nesse ano havia chovido demais e bem… O aterro pediu arrego e rompeu com a força da água. Ou seja, nada de energia elétrica. Nos virávamos como podíamos com velas e lampiões (sim, um lampião usa camisinha!), mas eles nem eram muito usados porque né, sem energia não tinha muito a se fazer depois que o sol se punha.

Então, eu estava brincando de casinha com a filha de uma das moças que lá trabalhavam. Montamos nossa casinha com colchões e lençóis e ficamos entretidas lendo gibis. Pela ordem natural das coisas, o sol se põe e escurece. Quando me dei conta da escuridão, tive a brilhante ideia de acender uma vela pra que continuássemos lendo. O que aconteceu a seguir foi o óbvio. Tenho os modos delicados de um elefante numa loja de cristais, e uma vela sobre um amontoado de colchões/travesseiros/lençóis não ia parar em pé por muito tempo.

Fogo, muito fogo. Em tudo. No cabelo da minha amiguinha. Quando os adultos que estavam na varanda jogando baralho viram o clarão pela janela e correram pra ajudar, adivinha! Em mais um dos meus acessos de brilhantismo, eu havia trancado a porta. Gostava de privacidade. Não que uma criança de 7 anos de idade precise de privacidade, mas sabe, eu era precoce.

Sorte que eu tinha um pai grande e forte, que arrombou a porta na base da ombrada. Nesse meio tempo, a casinha que havíamos montado com tanto carinho já havia se transformado numa bola de chamas considerável. Eu não me lembro de como eu e minha amiga fomos tiradas de lá dentro, só lembro de nós duas assustadas sentadas perto do fogão de lenha. Os adultos ao redor nos dizendo que iríamos fazer xixi na cama (lembro-me que essa foi a primeira coisa que perguntei a minha amiga na manhã do dia seguinte).

Tirando algumas mechas da amiga, saímos ilesas. Na verdade, fomos as duas dormir de bunda quente. E olha, não estou falando do fogo.

P.S.: Um dos colchões queimados nessa brincadeira ainda está lá na fazenda. Vovó fez uma capa nova pra ele.
P.P.S.: A foto que ilustra o post é a represa lá da fazenda. Aprendi a nadar nesse lugar.
P.P.P.S.: Se você leu até aqui, vai saber que agora estou bem longe e isolada… Na fazenda, pra dizer a verdade. :)







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