Era uma linda manhã de domingo. Pessoas normais estariam dormindo. Outras estariam indo a missa. Eu estava acordada. Levando em consideração o tanto que eu adoro domingos e o tanto que adoro acordar cedo, podia-se deduzir que se tratava de algo grande. Oh, e era.
Como sempre, eu estava em pânico. Tenho uma tendência um pouco chata a ser fatalista por demais e esperar sempre o pior de tudo. Ajuda a não me decepcionar. Já não tinha ido dormir muito cedo e estava de pé logo cedinho. Olheiras sob meus olhos. O cabelo, uma tragédia. Como vocês podem imaginar, por mais perfeita e maravilhosa que eu seja, não acordo lá muito bem. Tomei um banho rápido e fiquei esperando. Eu podia, sei lá, infartar do nada a qualquer momento, tamanho o nervosismo. Naquela hora, podia cair um cometa no meio da minha sala que eu sequer iria notar. Olhei pela janela e vi muito, muito sol. Um dia lindo demais. Mas já falei que era um dia bonito, não? Eu não sei como seguir adiante. Estou tentando.
O telefone tocou e era tudo que eu precisava no momento. Bati no teto, cai no sofá e bati no teto de novo. Daí resolvi atender o telefone. Fantástico, ele já estava aqui. Na verdade, ele estava na porta da minha casa. Meu Deus, o que eu faço? Mato? Morro? Compro uma bicicleta? Bom, fui atender a porta. Eu não sei se ele falou alguma coisa. Se eu falei também, não me lembro. Estava com a boca tão seca que provavelmente não teria conseguido falar nada mesmo. Eu tenho dessas, minhas memória me prega peças. Não lembro de algumas coisas, mas detalhes como a roupa que cada um estava usando não me saem da cabeça.
A gente se abraçou, e eu poderia usar de muitos clichês aqui. Mas o que aconteceu mesmo mesmo foi que eu ouvi um clique. Peças se encaixando. Por mais que as peças fossem tão parecidas, quase iguais, elas se encaixavam.*
Eu sei que nos afastamos, os dois ligeiramente sem-graças. Eu sei porque depois ele me disse que tinha sentido a mesma coisa. E daí em diante, as coisas foram acontecendo numa velocidade assustadora. Um dia, uma semana, um mês. Agora finalmente um ano. E parece que faz bem menos tempo que eu estava entrando em pânico na sala da minha casa. Mas também parece que faz muito mais tempo, como se eu tivesse vivido uma vida inteira nesse ano que passou.
Já desisti de tentar entender todas essas reações e todos esses sentimentos. A verdade é que quando estou perto dele (e mesmo quando não estamos perto um dos outro), parece que sinto tanta coisa que não consigo descrever. E mesmo se tentasse, nunca sairia algo satisfatório. Porque me faz sair do sério com facilidade. Porque num segundo eu me sinto tão repleta de alegria que poderia morrer um pouquinho. Porque eu já não vejo a chuva da mesma forma.
Você sabe que eu te amo. Talvez já amasse antes mesmo de te conhecer. Eu te amo não porque somos almas-gêmeas. Eu te amo porque vejo as coisas em você que são diferentes de mim, e amo cada uma delas. Não espero um futuro perfeito, populado de zoiudinhos. Vou estar feliz enquanto você estiver por perto, mo.
* Eu estava escrevendo esse post num pique só, mas nessa parte tive que parar. Faltou o ar e tive uma taquicardia básica, mas só pra vocês verem o quanto esse momento isolado mexeu comigo. E ainda mexe, tanto que evito me lembrar pra não surtar. Só consegui continuar a escrever no dia seguinte, ou seja, hoje!

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