Sorte! Qual o dia que vocês lembram de ter tido mais sorte na vida??? O que rolou? Por que foi uma questão de sorte?
Era um dia lindo, um dos dias mais bonitos que eu vi em Natal. O sol estava forte e eu comecei a ficar preocupada. Achei que tinha perdido a hora porque estava distraída tirando fotos, mas eram 9:40 ainda. Aí eu decidi entrar no mar e sim, foi a coisa mais estúpida que eu poderia ter feito. Estava com a água pela cintura e o mar não parecia estar tão bravo. Maré baixa né?
Eu estava me divertindo com as ondas batendo em mim, tomando alguns mini-caldos. Mal conseguia abrir os olhos por conta da água salgada, mas tava tudo beleza. Foi aí que o mar começou a recuar com vontade, e quem já nadou no mar sabe que isso é sinal de onda grande. Fui puxada pra muito longe de onde eu estava quando vi o paredão de água vindo. Nesse momento, juro, a coisa aconteceu tão devagar que devo ter visto minha vida passar diante dos meus olhos umas cinco vezes. Eu estava vendo tudo em câmera lenta. Mergulhei pra não tomar uma pancada muito grande e acabei sendo arrastada mais pro fundo. Não me pergunte como, leis da física não se aplicam à mim.
Eu não conseguia mais tocar o chão, e quando finalmente consegui, cortei meu pé em rochas afiadas. Nadei com vontade pra perto da praia e não vi outra onda grande vindo. Pensem em coisas que ardem. Nada se compara a engolir água salgada pelo nariz.
Depois dessa onda grande consegui achar areia e caminhei até a praia, com mais ondas tentando me arrastar pro Reino das Águas Claras. Quando finalmente cheguei a praia, saí praticamente me arrastando da água, de quatro. Cuspindo água salgada e com areia até na testa. Quando finalmente consigo me levantar e recuperar a dignidade ajeitando o meu biquini, vejo um travesti de um metro e noventa gritando comigo:
- PROTETOOOOOOOR! VOCÊ TEM QUE USAR PROTETOOOOOR!!!
Enquanto fazia gestos como se passasse algo no corpo. Ele gritava bem pausadamente, como se eu não entendesse a língua dele. Na certa estava achando que eu era uma gringa burra que nunca tinha ido à uma praia tropical. Mas como a intenção era bonitinha, agradeci. Peguei minhas coisas e fui embora da praia.
Vocês podem achar que foi um baita de um azar tudo o que aconteceu. Eu acho que eu tive foi muita sorte. Afinal de contas, se Iemanjá não tivesse devolvido a oferenda, eu não poderia estar aqui contando isso.
Esse post eu escrevi em fevereiro desse ano, enquanto eu estava em Natal – RN. Tá salvo aqui a um tempão já, e na verdade é só um pedaço da segunda parte desse post aqui. Fato é que eu não publiquei e o tempo foi passando, passando… Sim, eu quase morri afogada, e tudo isso aconteceu dia 9 de fevereiro. As fotos que ilustram o post foram tiradas nesse dia. A primeira logo antes de tudo acontecer. E a segunda, logo depois que saí da água…

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