Ontem fui a casa de uma amiga, durante o intervalo entre duas aulas. As vezes é simplesmente assustador o quanto as coisas podem mudar em um ano. Sentada no sofá de frente pra ela, ficamos conversando e pensando na vida.
- E pensar que um ano atrás estávamos indo pro curso…
- É…
Uma das coisas que mais gosto nela é o fato de que não precisamos falar muito pra entender tudo o que se passa. Ficamos algum tempo ainda em silêncio.
Ano passado, nós duas lançamos foguetes em direção ao sol. Nós sabíamos que o que estávamos fazendo não daria certo, que era inconsequente e que só poderia acabar mal. Estávamos bem conscientes disso. Mas ainda assim nós fizemos. É surreal a quantidade de merda que a gente pode fazer de forma consciente. Consequências? Mais tarde a gente lida com elas. Melhor: consequências não são pra pessoas como nós.
Se havia algo no caminho de nossos foguetes, acabou sendo destruído/queimado. Sim, passamos por cima das pessoas. Podemos ter magoado outras. Podemos ter feito quem não tinha nada a ver com a história sofrer, mesmo sem a gente saber. E foi assim, arrasando tudo no caminho, que seguimos em frente. O pensamento comum era “Se as pessoas tiverem chance, são elas que farão questão de passar por cima de nós”.
Hoje meus foguetes estão destruídos. Não se lança foguetes em direção ao sol, todos sabem que é estúpido! Mas mesmo sendo estúpido, eu fiz. E não me arrependo. Não se pode ganhar todas, infelizmente. Tudo nessa vida tem um preço, e eu sei bem qual foi o meu. Se estou feliz hoje? Sim, posso afirmar com toda certeza. Já destruí foguetes demais. Hora de parar de fazer merda conscientemente.
Crash & Burn – Nadia Ali

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