Eu tenho que dar o braço a torcer. O pessoal da minha faculdade é mesmo muito legal. Imaginem só que suuuuuuper-fantástico recebermos vacina anti-rábica na faculdade, sem precisarmos ir até o posto de saúde. Como nós estamos expostos (e põe expostos nisso) a ataques de animais raivosos, a vacina é praticamente obrigatória. Então lá estávamos nós, enfileiradinhos como gado indo pro matadouro, esperando cada qual a sua vez de tomar a dose da vacina. Mas espera, o que acontece? Ah sim, o pessoal que vai dar vacina na gente está recebendo as últimas explicações de como aplicar a vacina. PERALÁ. Quer dizer que eles nunca aplicaram a vacina na vida?? E é esse povo aí que vai me furar?
Abre parênteses.
Desde pequena não sou chegada a agulhas. De fato, eu evito. Até hoje não sei como consegui fazer os furos a mais que tenho na orelha, e acho que vai demorar pelo menos mais uns 10 anos até eu me resolver a doar sangue de novo. Aliás, essa é uma outra história que outra hora eu tenho que contar.
Fecha parênteses.
Okey, vamos dar uma chance às moças. Afinal de contas, o que poderia acontecer de ruim? Tomei a vacina e foi tranquila. Ponto pra moça que aplicou a primeira dose em mim. Não cheguei nem a prestar atenção nos outros alunos que diziam que as moças aplicaram mal devido a falta de experiências dela. Eu tinha sobrevivido, e isso era o que importava.
Na segunda vez, mais três moças diferentes pra usarem a gente de cobaia. Tudo bem, sem problemas. Recebi a segunda dose da vacina, que foi extremamente dolorida. A moça que aplicou em mim tremia feito vara verde, mas mais uma vez eu fiquei sossegada. Acontece, oras.
No dia seguinte à segunda dose, apareceram duas marcas gigantes e inchadas no meu braço: as duas doses da vacina que eu havia tomado. Por que? Não faço idéia, mas aquilo doía e incomodava bastante. E daí pra frente a coisa só piorou. Tive febre, dor de garganta, gripe. Não conseguia fica em sala de tantas lágrimas que escorriam dos meus olhos. Emoção? Não, gripe mesmo! Quem me conhece sabe que eu sou uma daquelas pessoas que nunca adoece. E no entanto lá estava eu: cabeça pesada, corpo mole… Aliás, essa foi a justificativa pra eu ter deixado meu namorado pra fora. Não era só uma gripe.
Eu não fui a única a ter esse tipo de reação. Cerca de 5 pessoas também tiveram os mesmos sintomas: as marcas da vacina, dor de garganta, gripe. Tudo junto! Desconfio que a vacina me deixou imunodeprimida, o que me levou a ficar doente.
Hoje tomamos a última dose da vacina, e conseguimos sobreviver. Novamente, vieram três outras moças pra aplicar a vacina na gente, e eu já estava bem puta com essa história toda. Minhas amigas que tomaram a vacina antes já me avisaram: essa moças eram ainda piores que todas as outras. Agora chega.
Na minha vez de tomar a 3ª dose, a moça já estava preparada pra usar a seringa em mim. Olhei pra ela e disse:
-Não quero que você aplique a vacina. Quero que ele aplique. – e apontei pra um tiozinho que desde o começo orientava as moças.
O tiozinho argumentou, disse que não faria diferença alguma. Eu falei da minha reação e ele tentou me dissuadir dizendo que a reação tinha sido culpa da minha pele muito branca. ¬¬ A menina atrás de mim, sabendo tudo o que eu tinha passado, gritou dizendo que a pele dela era tão branca quanto a minha e que ela não teve reação nenhuma. Depois de muito tentar me fazer mudar de idéia, ele desistiu e aplicou a vacina em mim.
Quer brincar de enfiar agulha nos outros? Legal. Só não faça isso em mim. Não me lembro de ter assinado em lugar algum pra autorizar o uso do meu corpo como cobaia.

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