O sexo é definido na fecundação. Homens possuem um cromossomo X e um cromossomo Y, enquanto que as mulheres possuem dois cromossomos X. Sabemos que o Y nada mais é do que um X atrofiado. Agora, pra que serve a perninha extra do “y feminino” é que não sei. Eu achava que devia ser algo tipo memória extra pra briga (”eu lembro sim, foi naquele dia que você não me ligou, que estava com a camisa polo verde e a calça jeans velha, tinha uma manchinha de molho na gola da camisa e mimimi mimimi”). Ontem eu entendi que trata-se de uma perninha extra única e exclusimente para preocupação com a aparência.
Eu estava sem xampu e precisava desesperadamente de um xampu pra lavar o cabelo. Mesmo no frio, vai me dando um nervoso, uma coisa… O causo é que, mesmo com frio e chuva, saí de casa pra ir atrás do xampu. Eis o drama: eu queria um xampu específico. Vou falar aqui qual é, até mesmo porque acho que vale a pena. É o xampu novo da Elsève, o de geléia real (”geléia” ainda tem acento? to com preguiça de procurar). Tem um cheirinho bom e fiquei com a impressão de que meu cabelo ficou mais grosso. Ele é fininho e eu tenho cabelo pra dar e vender. Com ele mais grosso e mais pesado, não arma e fica bem legal.
(abre parênteses…
Morram de inveja, sou loira NATURAL, cabelo ondulado, normal tendendo a seco, tintura preta bem nas pontinhas. Essa é só uma nota mental pra eu parar de reclamar do meu cabelo. Sempre pode ser pior.
…e fecha parênteses)
Tá, antes do ataque ególatra, eu ia dizendo que fui caçar o tal xampu. Não tinha achado nos supermercados e nem nas farmácias, então minha última esperança é uma lojona de cosméticos e viadagens femininas em geral que tem aqui na minha cidade. Eu falo assim porque ser mulher é complicado. A gente passa a vida inteira (eu pelo menos) tentando não parecer fútil, daí vai numa loja dessas e perde a cabeça. Eu tive um ataque semelhante aos que eu tenho quando entro nessas papelarias cheias de quinquilharias importadas de países asiáticos obscuros. Tanto pra se ver e tão pouco tempo!
Duas coisas particularmente me enlouquecem: xampus (como vocês devem ter percebido) e hidratantes. Mas certamente não estava nos meus planos endoidar atrás de um batom. O causo é mais ou menos o seguinte. Eu estou desde a formatura do meu irmão (dezembro de 2007) atrás de um batom rosinha gelado.
Não que seja feito de menta, to falando de ser uma cor fria. E não que eu estivesse procurando com tanto afinco assim também. Não sei se eu consigo explicar, xo tentar… Bom, é um batom que “some” com a sua boca, fica só um rosinha bem apagadinho no lugar. Entenderam? Nem eu. Bom, vamos dizer que é o batom que a Lady Gaga usou em clipes como “Poker Face” e “Eh, eh (Nothing else I can say)”. Há, agora entenderam né?
Eu não uso batom. Pra mim que eu tenho a boca grande, e se eu usar algo muito destacado, fico parecendo o Bozo. Até hoje só usei batom vermelho 3 vezes na minha vida: em 3 festas a fantasia. Sério, batom é coisa que não orna em mim. Mas penso que finalmente achei uma coisa que eu posso usar. Eu nunca tinha ouvido falar dessa marca (olha que sou fiel leitora do Vende na farmácia?), mas provei na loja, gostei do batom (e do preço) e levei pra casa. Na verdade, antes de ir pra casa eu fui olhar as tinturas. Sabe como é, relembrar os meus 10 anos de viciada em tinturas… Achei que estava indo longe demais quando perguntei pra vendedora se a tintura loiro-biscate-clarríssimo-você-enlouqueceu-dourado pegaria no meu cabelo loiro-escuro-e-finalmente-virgem. Tá, pega. Mas como eu não tinha comido cocô (ainda), larguei a idéia doida de lado e fui pra casa fazer uma hidratação.
Pra quem se interessou, o tal batom é o 101 – Rosa Mousse da Koloss. Eu achei jóia que dá pra usar esse batom e fazer um olhão bem preto (que é praticamente a única coisa que a descoordenada aqui sabe fazer) sem parecer que eu estou indo ao cemitério beber sangue de virgens. Eu reclamo que nesse país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza rola uma certa negligência com as branquelas tipo eu. Agora não mais. Mas se você tem a pele mais escura que a minha (coisa que cerca de 99,9% da população mundial tem), não vai ficar bom. Vai parecer que você passou Hipoglós na boca e saiu de casa fazendo a hype. Daí você pode aproveitar e dizer que é por conta do frio, que a boca tá rachada, que é o que todo mundo tá fazendo, dar uma de louca e etc. Mas se você é do tipo que fica camuflada quando encosta na parede, vai na fé.
Pronto, chega de viadagem. Vou jogar um pouco de Sonic pra me livrar dessas futilidades (por enquanto). Quer fotos da minha boca antes & depois, swatches, fotos do batom e afins? Just Google it! Ao contrário de muita gente por aí, eu tenho vergonha na cara e não vou postar uma foto-tosca-tremida-fazendo-biquinho. Bom-senso devia ser item de série em todos os seres humanos. Beijos com gloss-pink-com-glitter-sabor-tutti-frutti pras miguxas.
Desde que comecei a namorar com o André (7 meses e um pouquinho atrás) eu tenho aprendido muitas coisas sobre cultura japonesa. Na verdade, ele me ensina o que ele sabe, eu junto com o que eu sei e vou me virando. Também porque temos feito coisas “japonesas”. Eu que não era fã de comida japonesa aprendi a comer na casa dele (Oi? Sushi e yakisoba da sogra comandam!). Outras pequenas coisas a gente vai aprendendo.
Sábado fomos ao noivado de dois amigos do meu namorado. Fomos os primeiros a chegar, coisa que meu namorado estranhou. Afinal de contas 18:30 é 18:30 para os japoneses, não? Um tempo depois, as pessoas começaram a chegar. Um japonês, mais um casal de japoneses, mais um grupo de japoneses… Tá, eu até me viro bem no meio de desconhecidos, mas tipo, eram só japoneses. A impressão que eu tenho é que se eu fizer alguma coisa que os ofenda, vou sair linchada de lá. Ainda mais que estavam conversando em japonês também. Uma palavra ou outra eu acabo entendendo (depois de ver um monte de animes, queriam o que?), mas não deixa de ser menos assustador.
Sentei quietinha num canto enquanto o namorado tirava fotos dos noivos e de todo mundo. Não só porque o noivo tinha pedido, mas porque ele tem prazer nisso. Japoneses e câmeras: esse clichê é verdadeiro. Sorte que tinha um conhecido e fiquei conversando com ele enquanto os convidados terminavam de chegar. Eu conhecia os noivos, mas eles estavam ocupados dando atenção a todo mundo e acertando detalhes finais. Correu bem até a hora do brinde, ou Kampai!. Perguntei a um japonês que estava na mesma mesa que eu e ele muito calmamente me explicou. Como lá tinha um nihonjin, não poderíamos falar tin-tin!. No Japão, tin-tin significa “pênis pequeno”. Então imaginam quão bonita seria a cena da Marianinha aqui falando um tin-tin! todo animado no meio dos japoneses e eles desembainhando katanas e me perseguindo noite adentro. Aloka! Eu imaginei… E passei o resto da noite rindo. Na verdade, estou rindo até agora.
O jantar foi praticamente todo de comida japonesa. Tirando uma salada de legumes, arroz branco (que não era shirogohan) e uma carne ensopada. Bah, essas coisas eu como em casa né? Peguei só sushi (tinha de tudo quando é jeito e cor), nigirizushi, tempura, sashimi e umas saladas que até agora eu não sei do eram feitas, mas que eram boas pra dedéu. Eu sei que tinha kani no meio, e como kani eu como até com concreto, peguei. Comi os sushis de hashi, e até que me viro bem com eles. Meu namorado elogiou, até que eu fui comer o tempura. Tava pesado e o que a lorpa aqui fez? Espetou o tempura com o hashi! No Japão, é uma tremenda gafe espetar comida. Significa que você está oferecendo a comida pros mortos. Desespetei a comida rapidinho e continuei comendo. Pior que eu sabia que não podia e não lembrei na hora. Pra minha sorte, ninguém além do meu namorado viu. A imagem dos japoneses desembainhando katanas me veio a mente de novo, e não achei que seria legal sair correndo de salto alto.
No final, sempre vale a pena. Estar cercada de japoneses faz com que eu me sinta um pouco mais imersa na cultura, coisa que eu acho fantástica. Uma coisa que me fascina é o fato de buscarem perfeição e excelência técnica em tudo o que fazem. Tudo mesmo (um dia eu preciso fazer um post sobre os pães de mel da minha sogra). E o fato de pensarem no coletivo antes de pensarem no individual. Eu, pessoa egoísta, tenho muito a aprender.
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A nova pauta passará a ser: “Ao mestre com carinho”. A ideia é que vocês contem historinhas de algum professor que foi especial para vocês; aquele(a) marcante mesmo, de quem vocês guardam que provavelmente levarão para tooooda a vida.
Toda a vida vamos ter professores que nos marcam. Alguns de forma mais indelével do que outros. É fácil gostar do professor brincalhão, do professor gente boa. Mas duvido que esses professores marquem mais do que professores como a Creuza.
Ela era lenda na minha escola (e na cidade, e provavelmente no estado). Quando entrou na minha sala pela primeira vez, até senti um calafrio. Mandou que arrumássemos a bagunça e frisou: fileiras indianas. Nada mais de sentar junto, de carteira – e aluno – fora do respectivo lugar. Aquela senhora de um metro e meio tinha porte de rainha e nós a respeitávamos incondicionalmente. Pelas costas, a chamávamos de Creuza Queen Elizabeth. Foi minha professora de Geografia durante praticamente todo o colegial, e eu nunca aprendi tanto sobre uma matéria.
Creuza não passava a mão na sua cabeça. Ela cobrava. Ela tirava pontos se achasse que sua resposta não estava de acordo. Mas se ela nos cobrava dessa forma, é porque nunca deixou nada a desejar com relação a matéria. Ela explicava como ninguém. Eu era boa aluna, mas era dispersa e tinha um sério problema de “bicho-carpinteiro” (termo que os professores usavam pra dizer que eu não parava quieta). Por isso, estava sempre na linha de frente dos olhares fulminantes da professora. E que olhares! Creuza é lembrada especialmente por seus olhares matadores, que dirigia aos alunos engraçadinhos como eu.
Professora, desnecessário dizer que pessoas como você nos transformam em seres humanos melhores. Tentar me ensinar ao mesmo tempo que tenta me disciplinar não é nem de longe tarefa fácil. Mas a senhora conseguiu! Então vou me abster de mais comentários e terminar por aqui.
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